segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Lei federal reconhece fibromialgia como deficiência; fisioterapeuta Kelly Gama explica impactos e tratamento

Fisioterapeuta Kelly Gama com paciente

Foto: Alex Régis

Já está em vigor Lei Federal que reconhece a fibromialgia como uma deficiência no Brasil. A nova legislação marca um avanço histórico para milhares de pessoas que convivem diariamente com a dor crônica. Mais do que garantir direitos e benefícios sociais, a nova legislação ajuda a jogar luz sobre uma condição ainda cercada de desinformação, preconceito e invisibilidade. 

A Lei 15.176/2026 equipara pessoas com fibromialgia às Pessoas com Deficiência (PcD), desde que haja comprovação por meio de avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional. Com isso, os pacientes passam a ter acesso facilitado a tratamentos especializados no SUS, participação em cotas de concursos públicos, possibilidade de aposentadoria especial e isenções fiscais, como na compra de veículos adaptados.

A fisioterapeuta Kelly Gama, referência no tratamento da dor crônica e sócia-diretora do Centro Vitta, em Natal, explica que a fibromialgia é uma doença do sistema nervoso, caracterizada por uma dor muscular que persiste por mais de três meses e se espalha por diversas regiões do corpo. 

Criadora do Programa Ressignificador, Kelly Gama aposta na educação em dor e em exercícios guiados como ferramentas para reeducar o sistema nervoso e devolver segurança ao movimento. Essa filosofia está alinhada à proposta do Centro Vitta, que se define como um ecossistema de cuidado que integra movimento, educação, prevenção e tratamento da dor crônica.

A fisioterapeuta chama atenção para a fadiga intensa, considerada um dos sintomas mais incapacitantes da fibromialgia. “Essa fadiga limita atividades simples do dia a dia, como cuidar da casa ou sair para um passeio”, afirma. Kelly também destaca a rigidez corporal e a redução da amplitude de movimento como consequências frequentes. 

Para ela, o reconhecimento legal reforça algo que a prática clínica já demonstra há anos: a fibromialgia compromete profundamente a qualidade de vida. “A dor crônica limita o indivíduo porque, ao se movimentar, ele sente piora dos sintomas. Isso faz com que a pessoa adote o repouso como estratégia, acreditando que a dor está sempre ligada a uma lesão. Mas hoje sabemos que, no caso da fibromialgia, é preciso se movimentar,  só que de forma direcionada e especializada”, ressalta.

No Centro Vitta, onde atua há mais de  duas décadas, Kelly defende uma abordagem contínua e individualizada. O foco do tratamento não é apenas eliminar a dor, mas reduzir sua intensidade, frequência e as áreas do corpo afetadas. “O paciente pode não ficar 100% sem dor, mas o objetivo é que ele volte a viver, a dormir melhor, a realizar atividades prazerosas e a não deixar que a dor controle sua rotina”, afirm.

Há 23 anos, o Centro Vitta transforma dor em movimento e conhecimento em cuidado. Além do tratamento em fisioterapia, o espaço oferece pilates, treinamento funcional, acompanhamento nutricional, entre outros serviços.