
O abuso sexual infantil pode começar muito antes da violência, em processos de aproximação e manipulação que nem sempre são percebidos pelos adultos. É sobre como reconhecer situações de aliciamento, identificar sinais de alerta e fortalecer a proteção de crianças e adolescentes que Kennya Gralha trata em seu novo livro, Infância Segura, Futuro Protegido: Um guia prático para prevenção do abuso sexual infantojuvenil, lançado durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que segue até domingo (13).
A obra reúne orientações de especialistas de diferentes áreas e aborda temas como desenvolvimento infantil, educação sexual e emocional, violência intrafamiliar, riscos no ambiente digital e o papel da família, da escola e da rede de proteção na prevenção da violência.
Cada capítulo é assinado por uma especialista, de acordo com sua área de conhecimento e atuação, reunindo diferentes perspectivas sobre a proteção de crianças e adolescentes. A proposta é aproximar conhecimento técnico e orientações práticas de famílias e profissionais que lidam diariamente com crianças e adolescentes.
Segundo Kennya, um dos principais objetivos do livro é transformar informação em atitudes práticas de proteção. Entre as orientações estão formas de conversar com crianças sobre corpo, limites, consentimento e sexualidade de maneira adequada à idade, além da importância de construir vínculos e canais seguros de comunicação.
“Não podemos colocar sobre a criança a responsabilidade de impedir o abuso. Nós ensinamos recursos de autoproteção, mas quem tem a responsabilidade de construir ambientes seguros e protegê-la somos nós, adultos”, ressalta.
O guia também chama atenção para mudanças de comportamento que podem indicar que algo não vai bem, como alterações no sono, alimentação e rendimento escolar, além de medo, isolamento e comportamentos incompatíveis com a idade.
“Não existe um único comportamento que, isoladamente, confirme que uma criança sofreu abuso sexual. Por isso, o livro aborda diferentes sinais e sintomas que precisam ser observados dentro do contexto da criança”, explica a especialista.
A educação sexual preventiva também ocupa espaço central no guia. Para Kennya, ensinar uma criança sobre o próprio corpo, limites, privacidade e autonomia é também oferecer ferramentas para que ela reconheça situações de risco e saiba quando e como pedir ajuda.
O guia é dedicado a pais, mães, familiares e cuidadores, além de professores, profissionais da saúde e assistência social, profissionais do Direito, gestores públicos e demais integrantes da rede de proteção. "Na verdade, eu diria que é uma obra para todo adulto que compreende que proteger crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva”, sublinha a autora.
Durante a programação oficial da Bienal, a autora também participou de um momento dedicado aos leitores no dia 7 de setembro. Como “Tia Kennya”, personagem que criou para levar de forma lúdica a mensagem de prevenção ao abuso sexual infantil, ela recebeu o carinho do público e fez dedicatórias no livro Meu Corpo Ninguém Toca! Eu Grito! Eu Corro! Eu Conto!.
Os leitores são chamados por Kennya de “guardiões da infância”, em referência ao compromisso coletivo com a proteção de crianças e adolescentes.
Sobre Kennya Gralha
Kennya Gralha é educadora parental, especialista em Inteligência Sexual Infantil, pós-graduada em Educação Parental e Inteligência Emocional e em Educação Sexual, Emocional e Prevenção ao Abuso. É acadêmica de Psicologia, palestrante e presidente do Instituto HEPIM.
Autora do livro infantil Meu Corpo Ninguém Toca. Eu grito! Eu corro! Eu conto!, é criadora do Método Kacto Protetor, voltado à orientação de famílias para a prevenção ao abuso sexual infantil. Com mais de 100 palestras realizadas, sua atuação já alcançou mais de 80 mil pessoas presencialmente, em mais de 10 estados brasileiros.

