A união dos dois principais grupos de oposição de Guamaré não foi suficiente para garantir a vitória de Allyson Bezerra (União Brasil) no município. Mesmo contando com o apoio dos ex-prefeitos Mozaniel Rodrigues e Adriano Diógenes, o candidato acabou derrotado por Cadu de Lula (PT), apoiado pelo prefeito Hélio de Mundinho. Com todas as 45 seções eleitorais apuradas neste domingo (25), Cadu recebeu 6.354 votos, o equivalente a 53,7% dos votos válidos, contra 5.488 votos de Allyson, que ficou com 46,3%. A diferença foi de 866 votos, consolidando uma virada importante no cenário político local.
O resultado chama atenção principalmente pelo que aconteceu entre o primeiro e o segundo turno. No dia 4 de outubro, Allyson havia vencido em Guamaré por uma diferença de apenas 79 votos, recebendo 4.890 votos contra 4.811 de Cadu. Três semanas depois, o cenário mudou completamente. O candidato do PT ganhou 1.543 votos em relação à primeira votação, enquanto Allyson cresceu apenas 598 votos. Com isso, Cadu não só conseguiu reverter a desvantagem como abriu uma maioria considerável sobre o adversário.
A derrota de Allyson ganha ainda mais peso pelo alinhamento político formado em torno de sua candidatura. Mozaniel e Adriano, que lideram grupos distintos e historicamente disputam espaço na política de Guamaré, estiveram do mesmo lado no segundo turno. A união das duas forças oposicionistas, no entanto, não produziu o resultado esperado nas urnas. Mesmo com o apoio das principais lideranças que fazem oposição à atual gestão municipal, Allyson terminou a eleição com uma votação inferior à de Cadu.
Do outro lado, o prefeito Hélio conseguiu transformar a desvantagem do primeiro turno em uma vitória expressiva. O crescimento da votação de Cadu indica que o grupo governista conseguiu ampliar sua mobilização eleitoral nas três semanas que separaram as duas votações. A campanha do segundo turno foi marcada pela intensificação das articulações políticas, visitas às comunidades e pela busca de novos apoios, numa disputa em que cada voto passou a ter importância ainda maior diante do equilíbrio registrado na primeira etapa da eleição.
Para Hélio, o resultado representa também uma vitória política diante dos seus principais adversários no município. Embora a disputa fosse pelo Governo do Estado, o envolvimento direto das lideranças locais acabou dando à eleição um peso próprio na política de Guamaré. De um lado, o atual prefeito defendendo Cadu; do outro, dois ex-prefeitos apoiando Allyson. A vitória do candidato petista, nesse contexto, fortalece o grupo governista e representa um revés para a oposição, que, mesmo reunida, não conseguiu vencer o confronto nas urnas.
A eleição deste domingo deixa ainda uma demonstração de que a união de lideranças políticas nem sempre se traduz na soma automática de votos. O eleitorado de Guamaré mudou seu comportamento entre os dois turnos, e a diferença de 945 votos na margem entre os candidatos mostra o tamanho da virada. Se no primeiro turno Allyson havia conseguido uma vitória apertada, no segundo foi Cadu quem terminou com uma vantagem confortável.
Com o resultado, o prefeito Hélio encerra a disputa eleitoral fortalecido politicamente, enquanto os grupos de Mozaniel e Adriano terão de avaliar o desempenho de uma aliança que não conseguiu impedir a virada. Em uma eleição que colocou frente a frente as principais forças políticas de Guamaré, o recado das urnas foi claro: a oposição se uniu, mas a vitória ficou com o candidato do prefeito.



